Era apenas uma menina. Tinha 13 anos, uma mãe autoritária e uma paixão escondida!
Ainda bem jovem conhecera o garoto na escola e mesmo que não pudessem se falar ou sequer serem amigos, trocavam olhares como se isso os ajudassem a dizer um ao outro o que ambos sentiam. Dois anos mais tarde, ela já com quase 15 e ele com 20, já não estudavam mais na mesma escola, mas ainda se encontravam pelas ruas da pequena cidade onde moravam.
Ela ia pra casa e ao anoitecer, encostava sua cabeça no travesseiro e sonhava com aquele garoto meigo, delicado e lindo. Ainda se arriscava a rabiscar algumas palavras na folha do seu caderno, mas sempre tinha medo de que alguém o visse. Isso seria pra ela um desastre total! Sua mãe era muito severa e tinha educação de colégio de freiras. Para sua filha, o homem ideal seria o qual ela (sua mãe ) pudesse escolher. Esse sim, seria o melhor! Trabalhador, honesto, dedicado e com força nas mãos para construir um futuro.
Alguns meses se passaram e sua mãe a chamou dizendo que queria lhe apresentar um primo que vivia em uma fazenda não muito distante. Que primo era esse, pensou ela quieta!
Nessa época não se era de receber muitas visitas e os primos, mesmo os de 1º grau eram quase desconhecidos.
Ela se arrumou como devia e foi a sala conhecer o primo.
No primeiro instante ela o olhou e o achou lindo, pudera o descrever como um príncipe: Olhos verdes, pele branca, cabelo preto e um sorriso encantador. Muito simpático, mas aparentava já bem mais velho!
Com o tempo se tornaram até amigos. Era bom ter alguém por perto, assim ela poderia pensar menos no garoto da escola.
Um dia, sua mãe a chama e lhe da uma notícia!
Filha, andamos conversando eu e o seu pai e chegamos a conclusão de que você deveria se casar.
- Casar? Pergunta ela, assustada!
- Sim, casar, responde a mãe!
- Mas, mãe e a escola, ainda nem comecei a estudar direito, o que vou fazer? E com quem vou me casar? Nem tenho namorado, nunca tive!
- Minha filha, você já tem uma pessoa a qual achamos que será a ideal pra você e temos a certeza de que ele poderá te dar um bom futuro!
- Mas, mãe...
- Não filha! Já decidimos e não tem mais volta. Você vai se casar com seu primo!
- O que, com meu primo?
- Sim! Ele é uma pessoa muito honesta, trabalhadeira e aceitou em se casar com você!
- Ta certo, que ele seja um pouco mais velho que você, mas o que são 20 anos de diferença para quem possa lhe oferecer tudo de bom nessa vida!?
Ela começou a chorar, pois não queria abandonar a escola e ainda mais se casar com alguém que ela não amava. Não era esse o sonho dela. Não era esse o que ela esperava para sua vida. Tudo bem, seu primo realmente, era uma pessoa maravilhosa, bonita e que talvez pudesse dar a ela tudo o que ela precisasse.
Mas, não podia ser assim!
- Por que? Por que? Pensou ela, sozinha no quarto entre as lágrimas.
Os dias foram passando e o casamento foi marcado. Cerimònia simples, para poucas pessoas. Ela tinha completado quinze anos e já se casando, totalmente contrariada.
Do outro lado, o rapaz da escola, sofria pois via a sua princesa partir para os braços de outro. E ele não podia fazer nada, não a mínima chance. Seus pais jamais se envolveria em uma situação assim, ainda mais que a família dela era totalmente fechada.
Bom, o tempo foi se passando, o rapaz da escola se mudou, talvez de tristeza, e ela se mudou para a fazenda para tocar a vida que planejaram pra ela.
Com 16 anos o primeiro filho, com 17 perdeu um casal de gêmeos em uma queda enquanto trabalhava na fazenda, com 18 teve mais um, com 19 mais outro e foi assim até interar ao todo 7. A vida não era fácil, eram muitas brigas entre ela e o primo e foi assim durante 10 anos morando na fazenda. Com a idade dos filhos menores se aproximando, eles decidiram ter também uma casa na cidade para que assim, todos pudessem voltar a escola. Na verdade, ele não queria porque tinha um amor pela fazenda e pelas coisas que construíram, mas ela não! Nunca gostou realmente de viver la, por melhores condições que tivesse. Ela gostava de viver na cidade. De ver pessoas andando de um lado pro outro, de ver carros. E depois de mais e mais discutirem, se mudaram pra cidade. Ele continuava indo todos os dias pra fazenda e enquanto ela fazia as tarefas de casa, as crianças iam pra escola. Todos os dias eram as mesmas coisas. Mas, no fim de semana, sexta-feira, após a escola o destino era único: Voltar a fazendo com o pai.
As crianças ficaram meio divididas. Pois enquanto eles não conheciam aquilo tudo, a fazenda era o paraíso, mas depois, aquilo foi ficando pequeno para o que eles vinham e ouviam na cidade.
Dois anos nessas idas e vindas da fazenda, as crianças notavam que os pais brigavam cada vez mais e ninguém entendia o porque?
As vezes ouvia-se o telefone da casa tocar e apenas o murmúrio da mãe ao telefone que falava tão baixo, quase impossível de se ouvir. E outras vezes, via-se o pai atendendo o telefone que tocava e ninguém falava nada. Isso se passou por vários meses. E as brigas aumentavam. Chegaram a se separar varias vezes. Ela voltava pra casa da mãe com os filhos e o pai ia pra fazenda. No dia seguinte, conversavam e voltavam as boas....
Entre brigas e voltas, um dia a verdade veio a tona junto com o passado daquele casal.
Voltando um pouco para entender o que aconteceu. Nos primeiros meses em que se mudaram pra cidade, ela como tinha que seguir com as tarefas da casa e cuidar dos filhos, teve que se adaptar também a vida da cidade, compras, etc. Então, começou a fazer compras em um super mercado da cidade. E de tempos em tempos ela tinha que ir buscar coisas que faltam na sua casa. O que ninguém sabia e que foi surpresa para todos, é que o dono do mercado era aquele garoto da escola, o qual ela tanto gostava.
Bom, o tempo passou e depois daquele casamento, ele se mudou para outra cidade, seguiu a carreira de comerciante, abriu algumas filiais nas cidades vizinhas e veio a se casar mais tarde e com o casamento vieram 6 filhos.
O motivo das brigas terem aumentado era devido o ciumes que o marido dela tinha quando veio a descobrir quem era ele. Para as crianças, que até então não entendiam nada, aquilo era uma coisa do outro mundo.
O tempo foi passando, as crianças já maiores e com ajuda da ironia do destino, ela resolveu deixar o marido e ficar de vez na cidade. Ela sabia que não seria fácil, mas o fez. Mesmo sabendo que o garoto da escola não voltaria a ser o que era pra ela naquela época, ela resolveu enfrentar depois de quase 20 anos todos pela liberdade que ela acreditava existir. O primo sofreu muito e se recolheu à vida que sempre gostou na fazenda e ela com a que acreditava existir na cidade.
A principio, todos ficaram chocados porque ninguém entendia o que de fato aconteceu. Foi um choque! Alguns a julgaram, condenaram e outros a incentivaram. Enfim, estavam separados!
Apesar de hoje, depois de quase 25 anos separados, eles ainda não se falam e ambos continuam na vida que acreditavam ser boa pra ambos, mesmo que separados.
As vezes, a vida nos prega peças. E por uma escolha que não fizemos ou que deixamos outras pessoas fazerem por nós, pode mudar uma vida inteira. E não só nossos sonhos são destruídos, mas também prejudicamos indiretamente, muitas pessoas que nos amam e que nós amamos.
Nessa época, há mais ou menos nos anos 50, muitas mulheres e também muitos homens não tinham escolhas e isso mudou a vida de muitos deles. Apesar de ambos não terem tido culpa, ambos tiveram suas vidas marcadas pelo que foi feito no passado.
Hoje, aprendemos muito com essas histórias e tentamos tomar nós mesmas nossas decisões. Mas, independente da época ou da idade, tudo o que fizer hoje, pode refletir e muito na sua vida e na de outras pessoas. Por isso, reflita sempre, antes de fazer o que não deseja e/ou deixar de fazer o que gostaria!
Esse texto foi baseado em uma historia real. Nomes não foram escritos para preservar a privacidade das pessoas. Mas, continua sendo, mesmo assim, uma historia de vida!
texto: Raquel M. NogueiraAinda bem jovem conhecera o garoto na escola e mesmo que não pudessem se falar ou sequer serem amigos, trocavam olhares como se isso os ajudassem a dizer um ao outro o que ambos sentiam. Dois anos mais tarde, ela já com quase 15 e ele com 20, já não estudavam mais na mesma escola, mas ainda se encontravam pelas ruas da pequena cidade onde moravam.
Ela ia pra casa e ao anoitecer, encostava sua cabeça no travesseiro e sonhava com aquele garoto meigo, delicado e lindo. Ainda se arriscava a rabiscar algumas palavras na folha do seu caderno, mas sempre tinha medo de que alguém o visse. Isso seria pra ela um desastre total! Sua mãe era muito severa e tinha educação de colégio de freiras. Para sua filha, o homem ideal seria o qual ela (sua mãe ) pudesse escolher. Esse sim, seria o melhor! Trabalhador, honesto, dedicado e com força nas mãos para construir um futuro.
Alguns meses se passaram e sua mãe a chamou dizendo que queria lhe apresentar um primo que vivia em uma fazenda não muito distante. Que primo era esse, pensou ela quieta!
Nessa época não se era de receber muitas visitas e os primos, mesmo os de 1º grau eram quase desconhecidos.
Ela se arrumou como devia e foi a sala conhecer o primo.
No primeiro instante ela o olhou e o achou lindo, pudera o descrever como um príncipe: Olhos verdes, pele branca, cabelo preto e um sorriso encantador. Muito simpático, mas aparentava já bem mais velho!
Com o tempo se tornaram até amigos. Era bom ter alguém por perto, assim ela poderia pensar menos no garoto da escola.
Um dia, sua mãe a chama e lhe da uma notícia!
Filha, andamos conversando eu e o seu pai e chegamos a conclusão de que você deveria se casar.
- Casar? Pergunta ela, assustada!
- Sim, casar, responde a mãe!
- Mas, mãe e a escola, ainda nem comecei a estudar direito, o que vou fazer? E com quem vou me casar? Nem tenho namorado, nunca tive!
- Minha filha, você já tem uma pessoa a qual achamos que será a ideal pra você e temos a certeza de que ele poderá te dar um bom futuro!
- Mas, mãe...
- Não filha! Já decidimos e não tem mais volta. Você vai se casar com seu primo!
- O que, com meu primo?
- Sim! Ele é uma pessoa muito honesta, trabalhadeira e aceitou em se casar com você!
- Ta certo, que ele seja um pouco mais velho que você, mas o que são 20 anos de diferença para quem possa lhe oferecer tudo de bom nessa vida!?
Ela começou a chorar, pois não queria abandonar a escola e ainda mais se casar com alguém que ela não amava. Não era esse o sonho dela. Não era esse o que ela esperava para sua vida. Tudo bem, seu primo realmente, era uma pessoa maravilhosa, bonita e que talvez pudesse dar a ela tudo o que ela precisasse.
Mas, não podia ser assim!
- Por que? Por que? Pensou ela, sozinha no quarto entre as lágrimas.
Os dias foram passando e o casamento foi marcado. Cerimònia simples, para poucas pessoas. Ela tinha completado quinze anos e já se casando, totalmente contrariada.
Do outro lado, o rapaz da escola, sofria pois via a sua princesa partir para os braços de outro. E ele não podia fazer nada, não a mínima chance. Seus pais jamais se envolveria em uma situação assim, ainda mais que a família dela era totalmente fechada.
Bom, o tempo foi se passando, o rapaz da escola se mudou, talvez de tristeza, e ela se mudou para a fazenda para tocar a vida que planejaram pra ela.
Com 16 anos o primeiro filho, com 17 perdeu um casal de gêmeos em uma queda enquanto trabalhava na fazenda, com 18 teve mais um, com 19 mais outro e foi assim até interar ao todo 7. A vida não era fácil, eram muitas brigas entre ela e o primo e foi assim durante 10 anos morando na fazenda. Com a idade dos filhos menores se aproximando, eles decidiram ter também uma casa na cidade para que assim, todos pudessem voltar a escola. Na verdade, ele não queria porque tinha um amor pela fazenda e pelas coisas que construíram, mas ela não! Nunca gostou realmente de viver la, por melhores condições que tivesse. Ela gostava de viver na cidade. De ver pessoas andando de um lado pro outro, de ver carros. E depois de mais e mais discutirem, se mudaram pra cidade. Ele continuava indo todos os dias pra fazenda e enquanto ela fazia as tarefas de casa, as crianças iam pra escola. Todos os dias eram as mesmas coisas. Mas, no fim de semana, sexta-feira, após a escola o destino era único: Voltar a fazendo com o pai.
As crianças ficaram meio divididas. Pois enquanto eles não conheciam aquilo tudo, a fazenda era o paraíso, mas depois, aquilo foi ficando pequeno para o que eles vinham e ouviam na cidade.
Dois anos nessas idas e vindas da fazenda, as crianças notavam que os pais brigavam cada vez mais e ninguém entendia o porque?
As vezes ouvia-se o telefone da casa tocar e apenas o murmúrio da mãe ao telefone que falava tão baixo, quase impossível de se ouvir. E outras vezes, via-se o pai atendendo o telefone que tocava e ninguém falava nada. Isso se passou por vários meses. E as brigas aumentavam. Chegaram a se separar varias vezes. Ela voltava pra casa da mãe com os filhos e o pai ia pra fazenda. No dia seguinte, conversavam e voltavam as boas....
Entre brigas e voltas, um dia a verdade veio a tona junto com o passado daquele casal.
Voltando um pouco para entender o que aconteceu. Nos primeiros meses em que se mudaram pra cidade, ela como tinha que seguir com as tarefas da casa e cuidar dos filhos, teve que se adaptar também a vida da cidade, compras, etc. Então, começou a fazer compras em um super mercado da cidade. E de tempos em tempos ela tinha que ir buscar coisas que faltam na sua casa. O que ninguém sabia e que foi surpresa para todos, é que o dono do mercado era aquele garoto da escola, o qual ela tanto gostava.
Bom, o tempo passou e depois daquele casamento, ele se mudou para outra cidade, seguiu a carreira de comerciante, abriu algumas filiais nas cidades vizinhas e veio a se casar mais tarde e com o casamento vieram 6 filhos.
O motivo das brigas terem aumentado era devido o ciumes que o marido dela tinha quando veio a descobrir quem era ele. Para as crianças, que até então não entendiam nada, aquilo era uma coisa do outro mundo.
O tempo foi passando, as crianças já maiores e com ajuda da ironia do destino, ela resolveu deixar o marido e ficar de vez na cidade. Ela sabia que não seria fácil, mas o fez. Mesmo sabendo que o garoto da escola não voltaria a ser o que era pra ela naquela época, ela resolveu enfrentar depois de quase 20 anos todos pela liberdade que ela acreditava existir. O primo sofreu muito e se recolheu à vida que sempre gostou na fazenda e ela com a que acreditava existir na cidade.
A principio, todos ficaram chocados porque ninguém entendia o que de fato aconteceu. Foi um choque! Alguns a julgaram, condenaram e outros a incentivaram. Enfim, estavam separados!
Apesar de hoje, depois de quase 25 anos separados, eles ainda não se falam e ambos continuam na vida que acreditavam ser boa pra ambos, mesmo que separados.
As vezes, a vida nos prega peças. E por uma escolha que não fizemos ou que deixamos outras pessoas fazerem por nós, pode mudar uma vida inteira. E não só nossos sonhos são destruídos, mas também prejudicamos indiretamente, muitas pessoas que nos amam e que nós amamos.
Nessa época, há mais ou menos nos anos 50, muitas mulheres e também muitos homens não tinham escolhas e isso mudou a vida de muitos deles. Apesar de ambos não terem tido culpa, ambos tiveram suas vidas marcadas pelo que foi feito no passado.
Hoje, aprendemos muito com essas histórias e tentamos tomar nós mesmas nossas decisões. Mas, independente da época ou da idade, tudo o que fizer hoje, pode refletir e muito na sua vida e na de outras pessoas. Por isso, reflita sempre, antes de fazer o que não deseja e/ou deixar de fazer o que gostaria!
Esse texto foi baseado em uma historia real. Nomes não foram escritos para preservar a privacidade das pessoas. Mas, continua sendo, mesmo assim, uma historia de vida!















