
Em Zurique, cerca de 33% da população da cidade que hoje se aproxima de de 350.000 habitantes (só em Zurique), são estrangeiros. Muitos deles vem de países como a antiga Iugoslávia, da Turquia, do Sri Lanka, da Alemanha, da Espanha e dos Latinos inclusive, grande parte do Brasil.
Para nós, estrangeiros, os costumes aqui são bem diferentes, mas a população vinda de fora em harmonia com os natos do País, consegue manter tradições, hábitos e ordem nesse País pouco maior que o estado do Rio de Janeiro.
As mulheres aqui, trabalham, muitas vezes, como os homens e são também reconhecidas pela profissão. É comum, a mulher trabalhar até 70 ou 80 anos e ao contrário de alguns países, a possibilidade para uma mulher arrumar emprego, depois dos 40 não é muito diferente perante aquela que está ainda em início de carreira. O mercado de trabalho está aberto sempre à quem tem gute Erfarung ou seja boa experiência. A idade não pesa tanto como em alguns outros países como a França, por exemplo. Aqui, se a mulher tem em torno de 45 anos de idade, fala no mínimo Inglês, Alemão, Francês e outra língua qualquer, ela tem chances competitívas tanto como qualquer outra, independente da idade.
É muito comum, se andar nos bondes (trams) ou trens e encontrar grande parte delas indo ou voltando do trabalho, muitas vezes, bem vestidas, maquiadas, com laptops ou falando ao celular. Na Política a representante principal do País é uma mulher! Micheline Calmy-Rey (foto ao lado) é a que entre os 7 outros eleitos pelo Parlamento, comanda esse País tão pequeno e ao mesmo tempo, tão poderoso.
Como política é política em qualquer lugar do mundo, houve um fato no fim do ano passado o qual deu no que falar, por aqui, uma mulher que também pertence a um dos partidos do País, foi ameaçada a ser expulsa do cargo, caso ela aceitasse assumir a presidência do partido. A ameaça veio do atual presidente, que é também muito popular na Suíça, em alguns casos, ele chega a ser idolatrado por uns, mas odiado por outros. Todos os jornais publicaram abertamente a situação e todos esperavam pelo dia seguinte, talvez para ver uma possível renúncia da candidata. Mas, para a surpresa de muitos, ela não se deixou coagir pelas ameaças do então tão poderoso presidente, aceitou assumir o cargo e foi reconhecida, como a Mulher de coragem!
Mas, mesmo as mulheres tendo adquirido poderes e espaço no mundo profissional por uma luta merecida, não podemos deixar de falar delas também como, Mãe!
Aqui, no meio politico, existe um partido, que mesmo reconhecendo a mulher como profissional de qualidades iguais às dos homens, é também, extremamente conservador no quesito: Família!
Para eles, elas, quando têm filho, devem ficar em casa cuidando de sua educação e do seu futuro. A mãe é papel importante no crescimento do filho, independente de sua classe social ou de sua profissão. Além deles serem totalmente, contra a abertura de creches, eles acham que as mulheres devem ficar com seus filhos, independente de qualquer coisa. Para eles é fundamental a participação da genitora em todos os momentos de formação da criança.
Bom, mas, além disso, aqui não existem empregadas domesticas, babas e muito menos creches, não como por exemplo, no Brasil. Alem de serem raras, são também extremamente, caras. Algo em torno de 5000 reais por mês, o que é caro ate para um Suíço! Se a mulher trabalhar, ela trabalhara para pagar a creche, o que não vale a pena! Quando a criança completa 4 anos, ela começa a participar 1 a 2 vezes por semana de pequenos grupos na escola de sua própria comunidade, de jogos criativos, contos de historias, desenhos, manuseio com papeis, brinquedos, arte e também, aprende a se relacionar com outras crianças da mesma idade.
Quando ela completa 5 anos, ela começa a frequentar o jardim de infância, sendo todos os dias, com duração media entre 2 a 3 horas, nessa etapa a criança começa a desenvolver seu lado educacional, voltado para leituras, pequenos escritos, números, musicas, e a alfabetização normal.
Nesse período a mãe, não tem como trabalhar 100% do dia fora. Então, há para essas, em que o filho fica na escola, a possibilidade de encontrar emprego que se possa trabalhar entre 20 a 80% da carga horária por dia e ate mesmo, 2 a 3 vezes por semana, se for o caso. E o melhor de tudo, sempre tem oferta de trabalho.
Algumas curiosidades que chamam a atenção da gente, nesse sentindo, é que apesar de ter toda essa preocupação com a mulher-Mãe em relação à criança, por outro lado, tem também o respeito à mulher-profissional. E para provar que o caso acima, do protecionismo do partido politico não é machismo, quando uma mulher trabalha, de igual para igual em relação ao homem, por lei, ela tem o direito de receber o mesmo valor do salário dele, desde que exerça a mesma profissão, cargo e carga horária. Se acaso, ela não receber e conseguir provar que esta sendo discriminada, ela poderá ser indemnizada e a empresa ainda pode pagar uma multa. Isso pra mim, é a maior prova de respeito ao ser humano. Muito interessante!
O Suíço em geral trabalha muito, mas muito mesmo. Eles podem ter cargas horárias variadas que chegam de 8 horas (normal) a 10 ou 12 horas por dia. E muitas dessas vagas pertencem a ELAS.
Eu por exemplo, tenho amigas aqui, que trabalham dentro da media de 10 a 12 horas por dia, são super bem sucedidas, bonitas, inteligentes, com idade media entre 25 e 30 anos, mas, que pela falta de tempo, são solteiras e não tem filhos.
Um dia desses, perguntei para duas delas, se elas tinham namorados, elas me responderam que, infelizmente, não dava, pois o trabalho não deixa!
Pois é, assim como na vida, tudo depende da escolha que você faz! Seja pelo lado profissional ou pelo pessoal, sempre terá que abrir mão de algo. Mas, o importante nisso tudo, é que acima de qualquer coisa, sua escolha te faça sempre FELIZ!
....CONTINUA
sexta-feira, 28 de março de 2008
A Mulher na Suiça
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